UCB recebe Marcos Losekann para evento universitário

Conhecido pelo trabalho como correspondente internacional, o jornalista falou dos desafios enfrentados durante a carreira e com o advento da internet

Com quase 32 anos de carreira – 13 só como correspondente internacional para a Rede Globo – o jornalista Marcos Losekann foi um dos convidados do segundo dia de palestras do The Wall Break, evento realizado pela agência júnior Matriz Comunicação do curso de Comunicação – Publicidade e Propaganda. Em um bate-papo descontraído, ele falou sobre o jornalismo instantâneo, as praticidades e os perigos da internet, compartilhando com os estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Brasília algumas de suas experiências.

O repórter começou a palestra contando que, no início da carreira o processo de apuração e produção das matérias era um pouco mais complicado. “Os novos jornalistas estão chegando ao mercado em um momento relativamente fácil. Nós começamos em uma fase de migração, em que tudo era bem mais difícil. Eu me lembro que os aparelhos celulares eram gigantescos e não aguentavam mais do que 20 minutos de ligação. Era preciso falar tudo de uma vez ou ser bem rápido na hora de trocar as baterias”, comentou.

Para o profissional, as revoluções tecnológicas – do pager aos adventos da internet – possibilitaram velocidade aos jornalistas. “Estamos vivendo na era do jornalismo instantâneo. A internet permite que a gente faça muita coisa bacana e gera uma concorrência louca, uma corrida para ver qual veículo de comunicação informa primeiro. Mas é preciso tomar cuidado, porque também possibilita a divulgação de muita besteira. Tenho visto vários ‘jornalistas’, entre aspas, escrevendo mentira por aí. Informações que são compradas pela população como algo autêntico. É que nem aquela frase de Goebbels: uma mentira contada várias vezes acaba virando verdade”, alertou.

Losekann afirmou, ainda, que tanta velocidade e as facilidades de se obter um furo podem acabar prejudicando: “Antigamente, dar um furo era prazeroso para o jornalista. Ser o primeiro a soltar uma informação exclusiva era algo de destaque. Hoje, apesar de tudo ser bem mais fácil, os riscos são maiores”.

O repórter falou também da importância de um curso acadêmico e das consequências para quem cometer uma barriga, jargão jornalístico que significa erro, deliberadamente. “A universidade é um laboratório de ideias que vai te dar desde a noção mais básica até a mais avançada de o que é ser um jornalista. Como é uma profissão em que você está sendo policiado o tempo inteiro, até mesmo pelos colegas de trabalho, um erro intencional pode te queimar no mercado”, aconselhou.

Antes de se aventurar nessa instantaneidade do jornalismo, é preciso tomar cuidado com alguns aspectos. Losekann afirmou que, na área, o terreno da criatividade e do ridículo fazem fronteira e não há um muro de separação. “É preciso tomar cuidado para não querer facilitar demais a linguagem e acabar falando alguma coisa que ofenda ou não tenha sentido. Dependendo do assunto, não dá para brincar”, advertiu.

Fora daqui

web_TWB_16_M-8285“Eu sei que é um assunto que interessa a muitos aqui e a primeira dica que eu dou é: a gente não deve morar nem tão perto e nem tão longe dos pais. Nem tão perto que eles possam ir te visitar de chinelinha e nem tão longe que eles possam ir de malas e ficar meses”, brincou. Para ele, a oportunidade de morar por tanto tempo em Londres trouxe experiências excepcionais. “Eu fui o único que ficou tantos anos lá fora e voltou a morar no Brasil. Todos os outros se acomodaram e optaram por ficar. É difícil porque você se entrega a nova comunidade, cria raízes. Eu fui um dos responsáveis por comandar a base de jornalismo da Rede Globo em Jerusalém. Antes, eles mandavam os repórteres e isso gerava custos altíssimos”, contou.

Losekann lembrou, ainda, que depois da Guerra do Golfo, em 2003, as inovações tecnológicas também ajudaram os enviados especiais: “Ficou tudo extremamente instantâneo. Usar o kit correspondente, um programa que manda matérias televisivas inteiras em uma velocidade surreal, ficou ainda mais fácil”.

Outra cobertura que marcou a carreira do jornalista foi a morte do terrorista Osama bin Laden, em 2011, no Paquistão. “Eu lembro que era feriado em Londres e as embaixadas estavam fechadas, então, ninguém estava conseguindo tirar o visto para viajar. Foi aí que eu lembrei de um engenheiro paquistanês que era responsável por cuidar da nossa base. Ele já havia me dito que o pai dele era muito importante no país e pedi para que ele conseguisse isso para que pudéssemos viajar. O pai dele conseguiu o visto e 24 horas depois da morte do Bin Laden, a gente já estava na cidade. Fomos a primeira TV ocidental a chegar no local”, relatou.

Experiências

Além de revelar rotas de tráficos de drogas e denunciar casos de improbidade administrativa e crimes ambientais, o repórter também cobriu cinco guerras. “A minha geração cresceu acompanhando a CNN e vendo o destaque que os correspondentes de guerra tinham. Então, quase todo mundo queria cobrir os conflitos. Eu já vivenciei uma do início até o final; passei 33 dias com apenas dois banhos e as mínimas condições. Hoje, eu olho para trás e vejo que eu queria mesmo era ter sido um correspondente de paz”, revelou.

Em entrevista para a Olfato, Losekann disse que as guerras não foram o que mais marcou sua trajetória como jornalista. “Por incrível que pareça, não foi nada fora. Foi uma cobertura dentro do Brasil. Na época, eu morava em Brasília e fui à Amazônia para cobrir a queda de um avião de garimpeiros no meio da selva. O problema é que o governo da Venezuela que havia derrubado o avião. Eles alegaram que foi falta de combustível. E foi mesmo. Eles atiraram no tanque, o combustível vazou e o avião caiu. Foi uma matéria muito difícil porque nós ficamos indo e vindo do local, em 1992, uma época em que as baterias não eram tão potentes e tinha que gravar tudo de uma vez. Foi um marco na minha vida porque teve todos os ingredientes: investigação, perigo, perseguição e riscos de contaminação”, contou.

O jornalista disse, ainda, que nunca se preparou mentalmente para nada e que é preciso gostar muito para se tornar um correspondente. “Foi tudo na raça, no instinto. Tem que amar a editoria de internacional porque é uma área bem complexa. O mundo é o seu assunto principal. Ah, e é necessário conhecer outros idiomas também. O inglês, por exemplo, é fundamental. Quem tem inglês fluente consegue se virar muito bem”, finalizou.

Álef Calado para a Olfato Comunicação
Edição de Maria Gabbriela Veras da Olfato Comunicação
Edição final Professora Fernanda Vasques

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Um comentário sobre “UCB recebe Marcos Losekann para evento universitário

  1. Kamila Braga disse:

    Republicou isso em Jornalismo Internacionale comentado:
    Como falei no post passado. Correspondente Internacional é aquele que colhe notícias e as transmite de um país para o outro. Um exemplo de um ótimo correspondente é o repórter Marcos Losekann, que já cobriu vários acontecimentos internacionais para a TV Globo.

    Losekann foi convidado a comparecer na Universidade Católica de Brasília (UCB) para palestrar no evento “The Wall Break”, a semana promovida pela Agência Júnior de Comunicação – Matriz – voltada aos estudantes de jornalismo e de publicidade e propaganda.

    Para entender um pouco dessa profissão, nas palavras de Marcos Losekann, recomendo lerem a matéria do estudante Álef Calado, para o site da Olfato, produto midiático do curso de comunicação da Universidade Católica de Brasília.

    Curtido por 1 pessoa

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